Igreja Evangelica Jesus Cristo é o Senhor: Doentes à mercê da pirataria

terça-feira, 14 de abril de 2009

Doentes à mercê da pirataria

BRASÍLIA - Bastaram três meses de investigação sobre o mercado clandestino de medicamentos para que o governo chegasse a uma conclusão alarmante: o comércio de remédios foi inundado por um verdadeiro derrame de produtos falsos, sem registro ou contrabandeado e virou problema de saúde pública. O mais grave, no entanto, é que a pirataria deixou de ser uma atividade do muambeiro tradicional para invadir as farmácias legalmente estabelecidas, especialmente na periferia de metrópoles como São Paulo e Rio, além das cidades do interior, onde os controles são precários. Dados revelados terça-feira pelo Ministério da Justiça e a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que das 85 farmácias fiscalizadas no primeiro trimestre de 2009, 39 foram interditadas e seus proprietários presos por comércio ilegal.
O governo reconhece que é um dado estarrecedor, com ares de epidemia, quando examina o cenário e percebe não ter estrutura para fiscalizar os cerca de 55 mil estabelecimentos farmacêuticos existentes no país, com praticamente uma farmácia em cada esquina. As estatísticas tornam o quadro ainda mais preocupante quando se observa o resultado das operações desencadeadas no mesmo período. Nos primeiros três meses do ano, foram apreendidos 170 toneladas de medicamentos clandestinos, quase mil por cento a mais do que foi confiscado em todo o ano passado, com um volume de 20 toneladas.
Se a projeção incluir os outros nove meses de 2009, e se levar em conta que a fiscalização vai apertar ainda mais, o crescimento da pirataria ultrapassará o estrondoso patamar de 10 mil por cento. Segundo a Polícia Federal, o volume apreendido nesse primeiro trimestre equivale a mais de R$ 1 bilhão. O rombo não para por aí e causa pesados prejuízos à indústria legal. No ano passado, por exemplo, apenas para garantir a segurança de seus produtos e driblar a pirataria, o laboratório Lilly – detentor da marca Cialis, indicado para homens com problemas de ereção – investiu cerca de R$ 2 bilhões. Não há estimativa sobre os prejuízos provocados pela pirataria, mas as projeções mais realistas apontam para cifras superiores a dois dígitos de bilhões.
Com atraso
Essa é a primeira vez que órgãos públicos da União – Polícia Federal, Anvisa e secretaria executiva do Ministério da Justiça – se integram para fazer um pente-fino no mercado clandestino de remédios, uma anomalia que vai bem além de atividades criminosas como contrabando e sonegação fiscal.
A conclusão é que os brasileiros estão sendo enganados, envenenados e mortos por causa da pirataria. Uma pesquisa feita no ano passado em hospitais do Rio de Janeiro e Porto Alegre apontou, segundo o delegado federal Adilson Bezerra, atualmente lotado na Anvisa, que o número de óbitos envolvendo pessoas que foram ludibriadas pelos falsos remédios triplicou entre os pacientes que estavam sendo tratados de câncer. São pessoas que consomem medicamentos caríssimos, como o Glivec, prescrito para leucemia infantil, que custa, em média, R$ 4 mil, mas acaba sendo seduzidas pela oferta pirata, que normalmente sai pela metade do preço.

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